Biografia
Irina Parkhomenko levou uma vida comum e pacífica — trabalhou por muitos anos como engenheira, cuidou da família e ajudou quem era próximo a ela. Já aposentada, enfrentou processos criminais por sua fé.
Irina nasceu na cidade de Sretensk, no Território de Zabaykalskiy. Ela tem uma irmã. Em diferentes épocas, seu pai trabalhou como chefe de uma equipe de topografia, chefe de obras e engenheiro-chefe de uma empresa florestal; ele também lecionou em uma escola técnica de construção e, antes de se aposentar, trabalhou na diretoria de transporte de passageiros. Sua mãe começou sua vida profissional como cozinheira e depois passou muitos anos em uma fábrica de vestuário. Ambos os pais de Irina faleceram.
A mãe de Irina frequentemente lia livros em voz alta para suas filhas, e foi assim que Irina desenvolveu um amor pela leitura que a acompanhou por toda a vida. Ela ficou especialmente impressionada com o romance Robinson Crusoe, de Daniel Defoe. Depois de lê-lo, ela se fascinou pela cerâmica: moldava pratos de barro e os queimava em um forno caseiro. Irina também recorda com carinho outros interesses da infância — adorava cantar e, quando suas avós vinham visitá-la, elas a ensinavam a tricotar e fiar lã. Sua mãe, por sua vez, a ensinou a costurar e confiava que ela trabalhasse em uma máquina de costura.
Irina se lembra claramente das palavras da mãe: "Deus existe, e Ele vê tudo." Embora sua mãe não se identificasse com nenhuma religião, ela ensinou a filha a tratar o Criador com respeito.
Após terminar a escola, Irina ingressou no Instituto de Engenheiros de Transporte Ferroviário. Durante seus estudos, passou longas horas na biblioteca, estudando obras filosóficas e políticas que faziam parte do currículo da época — os escritos de Lenin, Marx e Engels.
Ainda estudante, Irina casou-se. Logo após se formar, a família foi designada para trabalhar na Baikal—Amur Mainline. O casal teve uma filha. Logo, Irina ficou sozinha com a criança. Ela teve que conciliar trabalho com cuidar da filha, que estava gravemente doente na época. Irina começou a orar, pedindo ajuda a Deus, aprendendo a agradecer a Ele e a permanecer fiel às suas promessas. "Ver o apoio de Deus tornou a vida mais fácil para mim, e não tão assustadora", ela recorda.
Com o tempo, Irina refletiu cada vez mais sobre o sentido da vida e pediu a Deus que a ajudasse a encontrar respostas para as perguntas que a preocupavam. Em Khabarovsk, ela iniciou uma conversa com uma mulher que falava sobre Deus usando a Bíblia. Essa conversa tocou profundamente Irina. Quando mais tarde lhe ofereceram um estudo bíblico, ela aceitou sem hesitar. Em 1995, Irina foi batizada como uma das Testemunhas de Jeová.
Esse período coincidiu com grandes mudanças no país e a reestruturação das ferrovias. Irina foi transferida para um cargo de engenheira de segurança ocupacional em Komsomolsk-on-Amur. Alguns anos depois, ela e sua filha tiveram que se mudar para Chita porque seus pais precisavam de ajuda. Após se aposentar, Irina conseguiu um emprego como faxineira para se sustentar financeiramente.
Em 2020, policiais invadiram o apartamento de Irina, onde ela morava com sua filha e genro, que sofre de epilepsia desde a infância. "Eles ficaram muito assustados", diz Irina. "Durante a busca, os policiais inspecionaram e confiscaram não apenas meus pertences, mas também os deles. Esses itens foram posteriormente devolvidos a nós em estado danificado." Seis anos depois, outra busca foi realizada no apartamento de Irina. Foi então que a crente soube que havia se tornado ré em um processo criminal por acusações de extremismo.
