Última palavra do réu Aleksandr Paisov em Zvenigorod

Alexandr Paisov fala sobre sua vida, família, trabalho e fé. Ele afirma que não representa perigo, considera a perseguição por motivos religiosos uma violação da Constituição e solicita ao tribunal uma sentença absolutória.

Transcrição:

Agradeço a todos vocês, queridos, por terem vindo hoje me apoiar — muitos, provavelmente, tiveram que levantar cedo — tanto conhecidos quanto desconhecidos. [...]

Meu profundo agradecimento aos advogados, que se empenharam conscienciosamente na minha defesa e buscaram provar minha inocência. Quero também agradecer à promotora por destacar os fatos sem distorções e pronunciar corretamente o nome de Deus. Obrigado à secretária do tribunal por registrar rigorosamente as atas. Meritíssimo, sou grato pela organização do processo, pelo cumprimento consistente do regulamento, pela paciência e pelo esforço em analisar detalhadamente o mérito do caso em apreciação.

Digno tribunal, sou uma pessoa cumpridora da lei, pacífica, paciente, que respeita a ordem pública. Fui criado desde os dois anos em uma família monoparental, pois meu pai nos deixou, a mim e minha mãe. Vi meu pai cerca de cinco vezes em toda a minha vida, então lembro dele vagamente. Minha mãe trabalhava em vários empregos ao mesmo tempo, porque a aposentadoria da minha avó e o salário dela (minha mãe era técnica em eletricidade) não eram suficientes. Meu cuidado e educação ficaram principalmente a cargo da minha avó. Ela tinha formação superior em língua e literatura russa; por isso, conseguiu me incutir valores morais e ensinar o valor do trabalho, já que ela mesma era professora, vice-diretora e diretora de escola em várias regiões da URSS. Pouco antes de falecer, minha avó era bibliotecária da escola de oito anos nº 2, onde eu estudava. Uma vez, enquanto resolvíamos uma cruzadinha, surgiu o nome de Deus na forma “Javé”. Minha avó mostrou esse nome na Bíblia. Eu tinha dez anos, e não entendi o quanto era importante compreender o conteúdo desse livro.

Além de estudar na escola, desde os oito anos praticava acrobacia com entusiasmo em um circo popular sob a orientação de Viktor Alexandrovitch Zverev. Ele publicou um livro sobre seu trabalho. Esses treinamentos me ajudaram a não me machucar …

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